Bacia do São Francisco
A Bacia do Rio São Francisco é a
terceira bacia hidrográfica do Brasil e a única totalmente
brasileira. Drena uma área de 640.000km2 e ocupa
8% do território nacional. Cerca de 83% da bacia encontra-se
nos Estados de Minas Gerais e Bahia, 16% em Pernambuco,
Sergipe e Alagoas e 1% em Goiás e Distrito Federal. Entre as
cabeceiras, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz,
no oceano Atlântico, localizada entre os Estados de Sergipe
e Alagoas, o rio São Francisco percorre cerca de 2.700km.
Sua calha está situada na depressão são-franciscana, entre
os terrenos cristalinos a leste (serra do Espinhaço, Chapada
Diamantina e Planalto Nordeste) e os planaltos sedimentares
do Espigão Mestre a oeste, conferindo diferenças quanto aos
tipos de águas dos afluentes. Os rios da margem direita, que
nascem nos terrenos cristalinos, possuem águas mais claras,
enquanto os da margem esquerda, terrenos sedimentares, são
mais barrentos.
O Rio São Francisco tem 36
tributários de porte significativo, dos quais apenas 19 são
perenes. Os principais contribuintes são os da margem
esquerda, rios Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e
Grande, que fornecem cerca de 70% das águas em um percurso
de apenas 700km. Na margem direita, os principais
tributários são os rios Paraopeba, das Velhas, Jequitaí e
Verde Grande. A Bacia do São Francisco é dividida em quatro
regiões: Alto São Francisco, das nascentes até Pirapora-MG;
Médio São Francisco, entre Pirapora e Remanso-BA; Submédio
São Francisco, de Remanso até a Cachoeira de Paulo Afonso;
e, Baixo São Francisco, de Paulo Afonso até a foz no oceano
Atlântico.
Desde as nascentes e ao longo de
seus rios, a Bacia do São Francisco vem sofrendo degradações
com sérios impactos sobre as águas e, consequentemente,
sobre os peixes. A maioria dos povoados não possui nenhum
tratamento de esgotos domésticos e industriais, lançando-os
diretamente nos rios. Os despejos de garimpos, mineradoras e
indústrias aumentam a carga de metais pesados, incluindo o
mercúrio, em níveis acima do permitido. Na cabeceira
principal do Rio São Francisco, o maior problema é o
desmatamento para produção de carvão vegetal utilizado pela
indústria siderúgica de Belo Horizonte, o que tem reduzido
as matas ciliares a 4% da área original. O uso intensivo de
fertilizantes e defensivos agrícolas também tem contribuído
para a poluição das águas. Além disso, os garimpos, a
irrigação e as barragens hidrelétricas são responsáveis pelo
desvio do leito dos rios, redução da vazão, alteração da
intensidade e época das enchentes, transformação de rios em
lagos etc. com impactos diretos sobre os recursos
pesqueiros.
As barragens hidrelétricas e
para irrigação transformaram o rio São Francisco e alguns de
seus tributários. Atualmente, o rio São Francisco possui
apenas dois trechos de águas correntes: 1.100km entre as
barragens de Três Marias e Sobradinho, com vários
tributários de grande porte e inúmeras lagoas marginais; e
280km da barragem de Sobradinho até a entrada do
reservatório de Itaparica. Daí para baixo, transforma-se em
uma cascata de reservatórios da Companhia Hidrelétrica do
São Francisco-CHESF (Itaparica, Complexo Moxotó com Paulo
Afonso I, II, III, IV e Xingó). Estes dois trechos e os
grandes tributários, onde existem as lagoas marginais, ainda
permitem a existência de espécies de peixes migradores,
importantes para as pescarias comerciais e esportivas.
Já foram identificadas 152
espécies de peixes nativos da bacia. Entre as espécies
nativas mais importantes nos rios e lagoas naturais da bacia
destacam-se as migradoras, curimatã-pacu Prochilodus
marggravii, dourado Salminus brasiliensis,
surubim Pseudoplatystoma corruscans, matrinxã
Brycon lundii, mandi-amarelo Pimelodus maculatus,
mandi-açu Duopalatinus emarginatus, pirá Conostome
conirostris e piau-verdadeiro Leporinus elongatus,
e as sedentárias, pacamão Lophiosilurus alexandri,
piau-branco Schizodon knerii, traíra Hoplias
malabaricus, corvinas Pachyurus francisci e P.
squamipinnis, piranha-vermelha Pygocentrus nattereri
e piranha-preta Serrasalmus piraya. Muitos gêneros de
peixes encontrados na bacia do São Francisco são comuns às
bacias amazônica e do Prata. O dourado é um pouco maior que
a espécie da bacia do Prata, alcançando 30kg e 1,50m de
comprimento. Os pintados são famosos pelo tamanho que
atingem, mais de 100kg, embora peixes desse porte não sejam
muito comuns.
Vale ressaltar que muitas
espécies de outras bacias hidrográficas, ou mesmo espécies
exóticas, já foram introduzidas na bacia, quando do
povoamento de seus reservatórios e açudes. Entre elas,
encontram-se os tucunarés Cichla spp., introduzidos
nos reservatórios de Três Marias e Itaparica, em 1982 e
1989, respectivamente, mostrando aumento acentuado de ano
para ano; a pescada Plagioscion sp., introduzida em
Sobradinho pelo DNOCS no final da década de 70 e,
posteriormente, também em Itaparica, com abundância
crescente com o passar dos anos, além de diversas outras
espécies introduzidas no sistema a partir de experimentos de
cultivo como carpas, tilápias, tambaqui Colossoma
macropomum, pacu-caranha Piaractus mesopotamicus,
apaiari Astronotus ocellatus e o bagre-africano
Clarias lazera.
Apesar dos sérios problemas
ambientais que se observam na bacia do São Francisco,
algumas áreas ainda oferecem condições para uma boa
pescaria. Dourados, surubins, matrinxãs, piaparas, curvinas,
traíras, mandis, pirá (um bagre endêmico da bacia),
tucunarés (introduzidos em alguns reservatórios e no baixo
São Francisco), e outras espécies introduzidas e bem
sucedidas podem ser capturadas em suas águas, freqüentadas
principalmente por pescadores de Minas Gerais, São Paulo,
Goiás e Distrito Federal.
(TOPO)
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